O Inverno está chegando.
Não é minha estação preferida. Eu detesto o frio e o tempo seco de São Paulo. E essa história de que todo mundo fica mais bonito no Inverno é mentira, porque meu rosto fica descascando horrivelmente por causa do vento gelado. Isso sem falar no frio da Islândia que faz aqui, do monte de roupas que eu tenho que vestir, do saco que é tomar banho...
Mas eu sei que isso tudo é necessário. Faz parte dos ciclos da Terra e não há Verão sem Inverno, nem Primavera sem Outono. Então em homenagem a essa querida #not estação que está vindo, me inspirei com a graça de Apollo montei uma playlist - o que não é nada de mais, na verdade, porque eu monto playlist para tudo (no meu iPod tem 34: a de Verão, de trilhas sonoras do Quentin Tarantino, de cortar os pulsos, de música cigana etc.)
Só que essa eu decidi compartilhar com vocês, queridos leitores! :)
Winter is Coming
1) "Seven Devils" - Florence and the Machine
2) "The Ubiquituos Mr. Lovegrove" - Dead Can Dance
3) "Hymnus Apollon" - Corvus Corax
4) "Winter" - Tori Amos
5) "Anywhere Out of The World" - Darkwell (fazendo um cover de DCD)
6) "Night Ride Across The Caucasus" - Loreena McKennit
7) "Kiss of Hades" - Inkubus Sukkubus
8) "Yule: The End of The Darkness" - Trobar de Morte
Espero que gostem e que todos tenham um bom Inverno - na medida do possível.
P.S.: se você não entendeu a referência, clica no hiperlink lá da primeira linha. ;)
Cerealia
Neopaganismo e bruxaria pelas palavras de uma devota de Deméter.
quinta-feira, 22 de março de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Da natureza das Deusas Mães
A Mãe é um arquétipo universal. Todas as mitologias que eu já tive a oportunidade de estudar tem a Mãe em seus mais variados aspectos e foi essa divindade que eu escolhi cultuar. Por isso, as questões de como a mãe trata e cuida dos seus filhos - e de como isso é uma parte de sua natureza que não pode ser modificada - sempre foi uma questão muito presente nos meus estudos. Não apenas literalmente, mas também simbolicamente, já que eu ainda não tenho filhos.
Por conta disso, esses dias atrás, uma amiga veio me perguntar sobre esse “lado negro”, destruidor das divindades mães. Fiquei refletindo enquanto ia responder e acabei escrevendo esse começo de ensaio de mitologia comparada, repleto de ideias e impressões pessoais. Aí vai:
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| Lâmina de Deméter do "Oráculo da Deusa" usada em um altar. |
Para punir homens e deuses, Deméter faz com que não haja colheita. Ou seja, sem alimento, a mãe priva seus filhos de sua parcela de vida. A nutridora se transforma naquela que nega, que pune e que faz com que todos morram pela privação. Esse é o lado negro de um dos aspectos de Deméter: a mãe que nega sua natureza essencial de nutridora. E com isso traz a escassez e a morte. Eu não acredito em deuses feitos inteiramente de bondade, que cuidam de todos e que amam seus filhos. Dentro dessa perspectiva é muito natural que Deméter seja a mãe que nutre e que mata.
Percebo essa mesma natureza em outras deusas. Quando fiz um dos meus únicos contatos com Lilith, senti que ela tem essa natureza de uma forma muito forte, muito acentuada. Inicialmente, na mitologia suméria, Lilith era uma deusa mãe, demonizada pela visão monoteísta dos hebreus, que foi piorada pelas concepções medievais de demônio que se espalharam pelo ocidente. Mas eu a senti como essa mãe que tem uma natureza dúbia de nutrir e matar de uma forma muito mais pungente do que Deméter, talvez por ser parte de uma teogonia mais antiga do que a dos aqueus, como se essa concepção de deus não tivesse passado por crivos filosóficos, morais e sociais que os gregos impuseram aos seus deuses. Quando eu me lembro da sensação de Lilith, sinto como se eu estivesse no fundo da terra e fosse oprimida por uma enorme força, um potencial, que pode ser criador e destruidor. É um sentimento muito obscuro, muito similar ao que se sente diante de Hécate.
Na mitologia grega, creio que a personagem que mais se aproxima do folclore (se é que podemos chamar assim) criado sobre Lilith é a Lamia, a mulher enlouquecida que se transforma em um monstro e mata os próprios filhos. Depois disso ela vaga pelo mundo comendo criancinhas. É possível perceber a relação dessas histórias com as lendas das strix e stregoni, os seres noturnos da Itália e da Europa Oriental, que influenciaram as concepções ocidentais de bruxas e vampiros. Existe todo um folclore medieval por trás dessas figuras que infelizmente os neopagãos tendem a considerar mais do que o mito sumério ou as naturezas ancestrais das mães nas mitologias pré-cristãs.
Penso também na natureza negra da mãe como Nanã, que abandona o filho doente Omulu, que acaba sendo criado por Iemanjá. Nanã também é uma deusa que trata de questões como morte e renascimento, sendo a deusa da lama, da lua, profundamente ligada aos mistérios do nascimento.
Poderia citar outras, de muitos outros lugares, todas comprovando que a mãe criadora também possui em si o poder de destruir sua criação.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Oráculo: você ainda vai ler um!
Nesse mundo pagão/bruxo/esotérico/esquisotérico todo mundo se sente na obrigação de saber um oráculo. Onze entre dez pessoas vão logo atrás do tarot. Algumas dessas 11 ainda vão procurar runas, baralho cigano, búzios, scrying e outros oráculos, alternativos ou não.
E eu me pergunto: por que?
Várias pessoas "do meio" já me disseram que não se adaptam com tarots, ou que não conseguem encontrar seu oráculo. Gente, tá tudo bem! Não tem problema se o oráculo não responde para você.
Quando você acredita que o oráculo vai trazer uma mensagem de um outro plano, é preciso ter cuidado. Se você não consegue puxar essa mensagem, tudo bem. Pode ser que esse não seja sua predisposição. Ninguém é obrigado a ser bom em tudo.
Fora que tem uma outra coisa: quantos oraculistas você conhece que REALMENTE puxam mensagens de outros planos? Ou que conseguem acessar o futuro? Se é para ficar dando aquelas análises do tipo "vejo no tarot que hoje você está assim porque aconteceu uma coisa ruim na sua vida 25 anos atrás...", é melhor nem ler...
Eu acho meio chata essa obrigação que todo mundo sente de ler tarot. Você pode ser feliz sem um oráculo. BEM feliz. Você pode ser um pagão/bruxo/esotérico que leva sua vida tranquilamente e, quando precisa de um conselho ou orientação, dá uma ligadinha para um amigo e pede um socorro.
Vai por mim. É mais fácil. Agora, se você insiste, aproveita e estuda. Muitas vezes o oráculo não vai trazer uma mensagem, mas vai poder te ajudar a desbravar arquétipos da mente humana. Aí sim é válido. Mas não há nada de místico nessa aplicação. E tudo bem, você também pode ser bem feliz assim.
E eu me pergunto: por que?
Várias pessoas "do meio" já me disseram que não se adaptam com tarots, ou que não conseguem encontrar seu oráculo. Gente, tá tudo bem! Não tem problema se o oráculo não responde para você.
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| Se você não sabe o que esta carta siginifica, não de desespere! Imagem de: www.taroteca.multply |
Fora que tem uma outra coisa: quantos oraculistas você conhece que REALMENTE puxam mensagens de outros planos? Ou que conseguem acessar o futuro? Se é para ficar dando aquelas análises do tipo "vejo no tarot que hoje você está assim porque aconteceu uma coisa ruim na sua vida 25 anos atrás...", é melhor nem ler...
Eu acho meio chata essa obrigação que todo mundo sente de ler tarot. Você pode ser feliz sem um oráculo. BEM feliz. Você pode ser um pagão/bruxo/esotérico que leva sua vida tranquilamente e, quando precisa de um conselho ou orientação, dá uma ligadinha para um amigo e pede um socorro.
Vai por mim. É mais fácil. Agora, se você insiste, aproveita e estuda. Muitas vezes o oráculo não vai trazer uma mensagem, mas vai poder te ajudar a desbravar arquétipos da mente humana. Aí sim é válido. Mas não há nada de místico nessa aplicação. E tudo bem, você também pode ser bem feliz assim.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Xamanismo e culto aos deuses gregos
Elementos xamânicos fazem parte da minha prática de culto às divindades gregas. Mesmo acreditando que feitiçaria e religiosidade andam separadas, eu trabalho naquele ponto de intersecção que as une. Por isso, me interessei em estudar como essas duas coisas se encontravam dentro da mente dos gregos.
Inicialmente, elas sempre me pareceram muito distintas, sem se encontrar. Mas ao longo dos meus anos de prática, percebi que é impossível praticar feitiçaria sem os elementos xamânicos, e que eles podem coincidir muito bem com o culto às divindades, independentemente do deus que você cultue. Afinal, uma feiticeira não é uma sacerdotisa de um deus específico. Seu ofício é outro e ela não precisa seguir formalmente o que foi institucionalizado pela religião. Senão, como as benzedeiras católicas fariam suas rezas?
Para começar a pensar no assunto, o texto "Ancient Greek Shamanism" é bem interessante. Não descobri quem é o autor, mas mesmo de procedência duvidosa me veio com premissas que me ajudaram a pensar melhor sobre o assunto, para tirar minhas próprias conclusões.
Esse estudo me despertou para o iatromantis, considerado pelo autor como sendo a figura do xamã dentro do pensamento grego. Também é abordada a religião órfica, uma das últimas vertentes da religiosidade grega, como contendo fortes elementos xamânicos. Ele considera o transe, as iniciações, as noções de outro mundo e de transcedência da vida material, que para os órficos eram parte da ligação com a divindade, como partes desses elementos. Segundo o autor, em tradução livre minha, “no estado xamânico de consciência, os órficos experimentavam sua breve união com seu criador e eram aceitos na família dos deuses”, de uma forma muito similar ao que o xamã fazia, transcendendo para o outro mundo, o dos espíritos, para aprender diretamente com eles.
Isso me faz pensar nas práticas em que, por meio do transe, alcançamos os deuses. Seja pela dança ritual ou por outros ritos de algumas tradições da bruxaria, ou até das incorporações de orixás presentes nas religiões de matriz africana. A ideia inicial está lá: chegar à ligação com a divindade por meio de um estado alterado de consciência.
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| Sócrates se comunicava com seu daemon por meio do transe. Moeda romana. Fonte: Wikimedia. |
Outro traço de prática xamânica na religião grega, segundo o autor, é a relação das pessoas com os seus daemons, os espíritos pessoais de cada um. Ele cita Sócrates, defendendo que o filósofo entrava em contato com o seu por meio do transe, a forma de chegar em um outro mundo.
Pessoalmente, eu colocaria nessa questão do contato com outro mundo as sacerdotisas de Apollo, tanto as sibilas quanto as pítias, porque ambas tinham o mesmo processo para o transe. Acho ainda que podemos citar os ritos eleusinos , pois por meio da beberagem sagrada administrada pelos sacerdotes, os iniciandos tinham visões que levavam à epifania do mistério.
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| A Sibila Cumaica, que por meio do transe recebia as mensagens de Apollo. Reprodução dos afresceos de Michelângelo no Vaticano. |
domingo, 13 de novembro de 2011
Entrando em estado de espera
Queridos leitores,
Faço este post para avisar que o Cerealia está entrando em uma pausa por tempo indeterminado.
Bom, vocês já perceberam isso, visto o tempo que eu estou com este blog desatualizado...
Enquanto não voltamos com a programação normal, quem quiser falar comigo pode me achar nas redes sociais e no meu e-mail. Não se acanhem em me escrever.
Facebook - https://www.facebook.com/itbarreto
Twitter - @inesbarreto
inesbarreto@gmail.com
Obrigada a todos os meus leitores e amigos, e aos leitores que viraram amigos graças a este blog.
Um beijo a todos!
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